Mais questões sobre Capitães da areia, de Jorge Amado
1) Leia o trecho abaixo para responder à questão
CRIANÇAS LADRONAS
(...)
Já por várias vezes o nosso jornal, que é sem dúvida o órgão das mais legítimas aspirações da população baiana, tem trazido noticias sobre a atividade criminosa dos “Capitães da Areia”, nome pelo qual é conhecido o grupo de meninos assaltantes e ladrões que infestam a nossa urbe. Essas crianças que tão cedo se dedicaram à tenebrosa carreira do crime não têm moradia certa ou pelo menos a sua moradia ainda não foi localizada. Como também ainda não foi localizado o local onde escondem o produto dos seus assaltos, que se tornam diários, fazendo jus a uma imediata providência do Juiz de Menores e do doutor Chefe de Polícia.
(...)
O que se faz necessário é uma urgente providência da policia e do juizado de menores no sentido da extinção desse bando e para que recolham esses precoces criminosos, que já não deixam a cidade dormir em paz o seu sono tão merecido, aos Institutos de reforma de crianças ou às prisões.
(...)
Títulos da reportagem publicada na segunda edição de terça-feira do jornal da Tarde, ocupando toda a primeira página, sobre o Reformatório Baiano,
Em relação a esse trecho, é correto afirmar que se trata :
a) do ponto de vista do narrador principal, que, como no restante da obra, denuncia a ação criminosa do bando conhecido como Capitães da areia.
b) de um discurso fictício de um jornalista, supostamente publicado em um jornal, requerendo que as autoridades tomem uma atitude enérgica contra os meninos do bando Capitães da areia.
c) do discurso de um leitor de um jornal fictício, requerendo que as autoridades tomem uma atitude enérgica contra os meninos do bando Capitães da areia.
d) de um discurso do personagem Pedro Bala, publicado em um jornal fictício, exigindo que as autoridades prestem uma ajuda humanitária ao bando que ele comanda, os Capitães da areia.
2) Releia o trecho da questão 1 e o poema "Flores no asfalto", de Marcos Rohfe, para responder à questão:
FLORES NO ASFALTO
sorrisos infantis
flores esquecidas
mãos inocentes
estradas perdidas...
nas pétalas caídas, flores esquecidas…
drones sobrevoam estradas perdidas,
vento suave e eterno...
À beira de monumentos humanos
tristemente perdidas
pétalas caídas, flores esquecidas
só um real, moço, só um real...
4) Releia o poema "Flores no asfalto", de Marcos Rohfe, e o trecho abaixo do romance Capitães da Areia para responder à questão
[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava (...)
Comparando os 2 textos, é correto afirmar que:
a) o verso "Cantam poetas, pisam soldados" do poema apresenta uma realidade semelhante com a maneira como a maioria das pessoas tratavam o Sem-Pernas.
c) o verso "à beira de monumentos humanos" do poema apresenta uma realidade semelhante com a maneira como a maioria das pessoas tratavam o Sem-Pernas.
d) o verso "vento suave e eterno" do poema apresenta uma realidade semelhante com a maneira como a maioria das pessoas tratavam o Sem-Pernas.
5)
Quando o levaram para aquela sala Pedro Bala calculava o que o esperava. Não veio nenhum guarda. Vieram dois soldados de polícia, um investigador, o diretor do reformatório. Fecharam a sala. O investigador disse numa voz risonha:
– Agora os jornalistas já foram, moleque. Tu agora vai dizer que sabe queira ou não queira.
O diretor do reformatório riu:
– Ora, se diz...
O investigador perguntou:
– Onde é que vocês dormem?
Pedro Bala o olhou com ódio:
– Se tá pensando que eu vou dizer...
(...)
. O investigador fez um sinal para os soldados. Pedro Bala sentiu duas chicotadas de uma vez. E o pé do investigador na sua cara.
OS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NO BRASIL
Marcos Rohfe
A primeira citação, em uma legislação específica, sobre direitos das crianças ocorreu na Assembleia Constituinte de 1823, ano seguinte à Proclamação da Independência do Brasil. Referia-se à criança negra, conforme o regime escravocrata vigente no período. Mas a lógica da época incluía uma visão de mercado na qual a mãe escravizada tinha direito de convalescer até um mês após o parto, e poderia ficar com seu filho até que ele completasse um ano, tratando a criança como mercadoria valiosa a ser preservada. Apenas em 1871, com a promulgação da Lei do Ventre Livre, que garantiu o direito à liberdade para as crianças nascidas de mães escravizadas, vislumbrou-se um avanço. Porém, ou essas crianças eram abandonadas, já que os pais continuavam sendo escravizados, ou permaneciam trabalhando gratuitamente até completarem 21 anos. Como o estado mostrou-se inepto em garantir qualquer direito a elas, surgiram associações civis para protegê-las, em parceria com instituições religiosas, nem sempre eficazes. Apenas em 1888, com a abolição da escravatura e posterior Proclamação da República, em 1889, começou-se a pensar em formas legais mais eficazes de proteção à criança em situação de pobreza.
Já no século XX, especificamente pelo decreto 17.943, proclamado em 12 de outubro de 1927, criou-se uma legislação específica considerando que caberia ao Estado assistir à criança. Foi nesse decreto que ficou estabelecida a inimputabilidade até os 17 anos. Um novo código viria apenas em 1979, a Lei 6.697, que lançou luz sobre questões como situações de abandono, desvio de conduta e práticas de infração penal, por meio do uso do termo “menor em situação irregular”. A ideia era agir para auxiliar as crianças que fossem vítimas da omissão da família, do Estado e da sociedade (...)
Comparando esses textos, é correto afirmar que os policiais do romance infringiram:
a) o decreto 17.943, que já existia na época da primeira publicação do romance.
b) a Lei 6.697, que já existia na época da primeira publicação do romance.
c) a Lei do Ventre Livre.
d) a Constituinte de 1823.
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